Experiência inovadora em meditação

 

Um trabalho em parceria para uma prática inédita no sistema prisional brasileiro foi realizado aqui no CPPP. Durante dez dias 25 presos deixaram sua rotina normal para conhecer as técnicas da meditação Vipassana, modalidade ensinada na Índia há mais de 2500 anos. Vipassana significa ver as coisas como elas são, vê-las de diferentes perspectivas, o que proporciona um autoconhecimento essencial para o crescimento individual.

A experiência pioneira, que funcionou como um projeto piloto na intenção de se expandir aos demais presos, se deu graças a uma série de fatores e vários componentes trabalhados em parceria.

O presidente da GPA Rodrigo Gaiga é aluno antigo do Vipassana e praticante da meditação. “É uma experiência indescritível, são dez dias de conhecimento principalmente de você próprio e como se diz: você vê as coisas dentro de si como elas realmente são. E isso é muito importante no processo de ressignificação por que as pessoas que cumprem pena de privação de liberdade precisam passar”, diz.

Esse projeto vai ao encontro do trabalho que a GPA vem fazendo em prol do desenvolvimento humano. A metodologia de reinserção social da empresa é focada em três pilares: resgate de vínculos familiares e sociais, educação empreendedora e trabalho e desenvolvimento humano. “O trabalho que desenvolvemos, baseado nesses pilares sempre nos lembra que essas pessoas irão retornar para a sociedade, portanto é necessário que elas se desenvolvam no intuito de sair daqui melhores do que entraram. A meditação é mais uma peça dessa engrenagem que estimula a que a pessoa reflita sobre seus atos as consequências desses atos tanto na sua vida quando para a sociedade. E também a responsabilidade de cada um sobre eles. Neste foco trabalhamos arduamente para um retorno longe do crime”, explica Rodrigo Gaiga. “É ganho enorme para toda a sociedade, as pessoas precisam se atentar que o preso irá em algum momento retornar à sociedade. Para tanto é necessário que ele tenha a opção de escolha de qual caminho seguir”.

Dentro desse trabalho de resgate de vínculos e valores, as famílias foram chamadas a participar da cerimônia final do projeto, para que pudessem não só valorizar a oportunidade de desenvolvimento humano, como também estimular os alunos a continuar a prática da meditação após o curso.

Na meditação Vipassana, durante os dez dias seguidos, os participantes mantém silêncio absoluto e regras rígidas, praticando intensivamente técnicas de concentração e atenção. Iniciada na Índia a prática tem sido estendida a vários países tanto orientais como ocidentais. Mas é a primeira vez no Brasil que se consegue desenvolver um curso dessa amplitude no sistema prisional. “Foi um sofrimento. Principalmente nos primeiros dias. Muita dor física, desconforto. Depois começamos a entender o propósito da meditação. Enfrentar os problemas de frente e ver que com tranquilidade e muita concentração, foco, a gente encontra a solução”, diz Edgar Costa Teixeira, um dos presos que participaram do programa de meditação.

Para o presidente da GPA, a experiência dentro da penitenciária atingiu o objetivo. Concluído o primeiro encontro a GPA se prepara para novas inciativas nesse sentido. “Estamos sempre prontos a desenvolver trabalhos de parceria que possam contribuir para o processo de ressocialização dos presos. E esta certamente é uma das mais significativas inciativas realizadas aqui dentro”, encerra.

Enquanto isso, os resultados do primeiro encontro já começam a ser percebidos. “A gente acostuma a se concentrar muito mais independente do ambiente e começa a passar isso para os outros”, explica Maxwel Gonçalves Pereira, outro preso que participou do curso. Ele nunca tinha participado de nada parecido, mas resistiu aos 10 dias de treinamento. “Eu tento passar alguma coisa da técnica para as outras pessoas que eu percebo que precisam de ajuda. E elas têm ouvido e tentado”, conta. Para ele a experiência foi muito além de suas expectativas. “Foi a melhor coisa que me aconteceu desde que estou preso. Acho que todo mundo deveria desenvolver essa técnica: presos, policiais e até os monitores de segurança aqui do Complexo. É realmente importante para todos”, conclui.

 

Confira fotos do Vipassana: