Mão na roda

Senai-MG e GPA iniciam parceria para capacitação de presos

 

Uma oficina mecânica para motos, uma outra uma para costura e uma panificadora. Essas escolas móveis por assim dizer, estão sendo desenvolvidas dentro do amibiente prisional e tem como alunos dezenas de presos que por 10 dias aprendem tecnicas, truques teorias e muita prática da costura, da mêcânica e da panificação. As primeiras aulas de costura e mecânica foram realizadas em novembro. A de panificação acontece em dezembro. Fruto de uma parceria entre o Senai-MG  e a GPA, empresa que responsável pela gestão da primeira PPP prisional do Brasil, o Complexo Penitenciário Público-Privado (CPPP), que funciona em Ribeirão das Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte. O acordo levou aos presos cursos de Iniciação Profissional nas três áreas já citadas.

O resultado da parceria é a possiblidade que muitos presos viram em poder realizar seu sonho de ter uma ocupação quando retornarem à sociedade. O preso Daniel Camilo Gomes é um deles. “Nunca pensei em mexer com moto. Mas surgiu essa oportunidade de e estou aprendendo muito”, diz ele, afirmando que já sabe decectar vários defeitos em uma motocicleta. “A gente pega fácil porque estuda muito”, garante ele, que cumpre pena na Unidade 03, de regime semiaberto.

Não muito longe dali, na Unidade 01, esta de regime fechado, o preso Davidson Dorledo se dedica à aula de costura. Para ele é mais uma oportunidade de ampliar suas possibilidades de trabalho no futuro. “Eu já tinha feito o curso de informática. E agora este. A gente tem de aproveitar as oportunidades da melhor forma”, diz ele que também já foi responsável pela biblioteca de sua unidade.

Uma das coisas que mais chamou a atenção do preso Gregory Nascimento foi a possibilidade de se desenvolver como mecânico sem ficar todo sujo de graxa. “A gente tem aquela imagem de oficina mecânica de antigamente, né? Mas descobri que podemos desenvolver um ótimo trabalho e manter tudo limpo. Ficar com as mãos limpas”, destaca.

O interesse dos alunos chama a atenção do instrutor de Formação Profissional do Senai-MG Fernando Marques.  Ele nunca tinha participado de um curso dentro de uma penitenciária e aprovou a ideia. “É um desafio novo para mim. Mas o resultado é incrível. Eles se interessam, estudam muito e fazem muita pergunta. Querem saber de tudo e botam a mão na massa mesmo”, diz.

Para o gerente Educacional do Senai-MG, Edmar Alcântara, trabalhos desenvolvidos pela entidade para esse tipo de público não chega a ser novidade. “Apoiar, treinar e capacitar pessoas excluídas da sociedade sempre fez parte da atuação do Senai-MG seja com pessoa privadas de liberdade, seja com jovens em medidas socioeducativas e outras populações. A novidade desse projeto é a estrutura que encontramos lá. Poder trabalhar dentro da penitenciária com uma estrutura assim, em que você pode montar uma oficina ou uma padaria é muito importante para nós e uma oportunidade única para eles”, observa Alcântara. “A gerente de Atendimento da GPA, Nathalia Fernandes, concorda. “Teve uma aceitação muito grande por parte deles e um aproveitamento muito bom também, o que nos encoraja a seguir com o trabalho. “Não podemos dizer que é um curso que faz um mecânico, por exemplo. São apenas 10 dias. Mas dá apara gente perceber que existe a possibilidade de continuar e, em uma segunda onda, apresentar cursos profissionalizantes mesmo”, afirma Edmar Alcântara. Uma esperança e tanto para Gregory e muitos outros presos. “Quero estudar muito mais e ser um mecânico”, afirma. Para ele é uma possibilidade de seguir a vida do lado de fora. “E de mãos limpas. Em todos os sentidos”, encerra.

 

Confira a galeria de fotos da Oficina Senai-MG: